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QUEM ACONTECE entrevista François Nieto
Sócio-proprietário da consultoria MKV Food Service, foi gestor das áreas Comercial e Marketing Food Service em empresas como Bestfoods, Unilever e Bunge Alimentos. Foi um dos responsáveis pelo start-up da MBB Foodservice e atuou nas duas líderes do mercado de Restaurantes Empresariais.

 

 

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Marketing Nutricional: Como você vê o mercado Food Service no Brasil?
François Nieto: Tenho acompanhado o crescimento deste setor desde o início da década de 90 e desde esta época apostava-se no seu crescimento acelerado e na sua consolidação. As previsões se realizaram e muitos tiveram sucesso, impulsionando o mercado como um todo. Ainda há muito caminho pela frente, com o aumento das exigências dos consumidores e o interesse de mais segmentos em atender este consumidor de refeições fora do lar.

MN: François Nieto, quando começou a se envolver com o Mercado Food Service?
FN: Em 1990, quando iniciei como Gerente de Produto de maionese Hellmann's na divisão Caterplan, da Refinações de Milho Brasil.

MN: Pela sua experiência tanto na industria quanto no serviço de alimentação, o que é necessário para que estes dois mercados andem juntos?
FN: O setor de serviços de alimentação, que alguns ainda chamam de refeições coletivas, está descobrindo que pode ser mais eficiente e reduzir seus custos com insumos que, a priori, têm preço mais alto, mas que trazem ganhos de produtividade, redução de espaço, água e energia e, no cômputo geral, reduzem custo e trazem ganhos ao cliente. Isto é valor para este setor. Cabe à indústria desenvolver soluções que efetivamente tragam este valor.

MN: Fala-se muito de Food Service, mas na sua opinião , quais os principais canais para as industrias que querem vender a este Grande Consumidor?
FN:O mercado Food Service é um mercado de venda pulverizada, com tamanhos de pedidos e entrega às vezes muito pequenos e economicamente inviáveis para a indústria. Não vejo outro caminho a não ser a construção de parcerias com Distribuidores e Operadores Logísticos.

MN: Com o aumento do número de restaurantes, você acredita que a industria de alimentos deve se especializar não só nos produtos mas também no valor agregado?
FN: Vejo que nos setores que trabalham com giros maiores como os setores de Fast Food e de Serviços de Alimentação, a procura por qualidade, eficiência e produtividade já é uma realidade. Acredito que a indústria deve iniciar já este processo de criar valor agregado. Como? Entendendo não só o que o seu cliente precisa, mas também ajudando-o a satisfazer o consumidor final.

MN: Qual o valor dos eventos e feiras técnicas para os setores que compõem o mercado Food Service?
FN: São oportunidades únicas para que quem atua no mercado tome conhecimento das novidades em produtos, serviços e conhecimento. O modelo Feira + Fórum é o que tem dado mais certo e deve se consolidar. Estamos evoluindo da feira tipo "show room" para a feira de negócios em que compra, venda e parcerias são realizadas na hora e geram retorno imediato e mensurável aos expositores. Isto sem dúvida deve atrair novos expositores e fortalecer o setor.

MN: Que dica você pode dar para as industrias que querem atender este Mercado ?
FN:Tenham foco, tratem o negócio Food Service de sua empresa como uma atividade autônoma. Isto é só o começo para ser bem sucedido neste mercado.

MN: Sabe-se que setor da alimentação fora do lar tem muito a ser explorado, mas algumas industrias não enxergam o seu potencial, por quê?
FN: Acho que o potencial é percebido. O quê ocorre é que algumas empresas não estão dispostas a investir em um negócio que, no início, é pequeno perto da operação que estas mesmas empresas, muitas vezes, têm no varejo. Além disso o negócio Food Service necessita de conhecimentos específicos que não estão disponíveis nestas empresas e que elas não se dispõem a buscar no mercado.

MN: Hoje, você com a experiência que adquiriu, sabendo o que sabe, como vê o crescimento do Food Service para daqui 5 anos?
FN: Se o país continuar crescendo às taxas atuais e não houver nenhuma crise na economia, não há porque o Food Service não crescer a taxas superiores a dois dígitos como vem fazendo nos últimos anos. Acredito no entanto que o crescimento em valor será maior do quê o crescimento em volume. Isto é um sinal de que os "players" deste mercado estão amadurecendo e buscando criar valor para se diferenciar.

MN: Você acredita que a industria brasileira deve olhar mais para o mercado interno e formatar o seu próprio modelo Food Service ou ainda é necessário usar parâmetros europeus e americanos?
FN:Teremos nosso próprio modelo que será a síntese da realidade do nosso mercado e da nossa indústria com o conhecimento que indústrias multinacionais e operadores food service irão trazer de outros países. Toda a evolução é bem vinda, venha de onde vier, é o mercado que se encarregará de filtrar as iniciativas e selecionar as melhores propostas.

Para contato com François Nieto da Consultoria MKV : mkvfood@gmail.com

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